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20/10/2017 11:51

Iniciada a campanha ‘Saúde do professor’

Mente, corpo e espírito em equilíbrio. Essa foi a principal receita ensinada aos professores da rede pública municipal de ensino para que tenham boa saúde e consigam evitar, ou pelo menos minimizar, os problemas ocupacionais decorrentes da profissão. O ensinamento foi passado durante o evento de lançamento da campanha “Saúde do Professor”, ocorrido na tarde desta quinta-feira, 19 de outubro, na sede do SINDIPEMA. Houve momentos de relaxamento comandados pelo educador físico Valtennysson Aragão Santos Costa, e apresentação do Coral Sindivoz. Os ingredientes desta receita de sucesso foram passados por Sérgio Luiz Thiessen, especialista em Educação Física e que falou sobre “Atividade física e bem-estar”; pelo Psicólogo Jurandi Meneses Santos que palestrou sobre o tema “O ato de envelhecer com qualidade de vida” e pelo Consultor em Finanças Rodrigo Dias Rosa, cuja palestra foi “Finanças e Saúde”.

 

Mas, o que motivou a direção executiva do sindicato a realizar esta campanha, que tem como objetivo realizar uma série de ações que promovam saúde e boa qualidade de vida para os filiados ao longo dos próximos meses? De acordo com o presidente do SINDIPEMA, o professor Adelmo Meneses Santos, a percepção de que as dificuldades crescentes para a realização da profissão estão adoecendo cada vez mais os professores foi o principal motivo. “As péssimas condições de trabalho, a falta de infraestrutura física e pedagógica, a violência cada vez mais presente dentro das unidades de ensino, isso tudo tem feito com que os afastamentos aumentem dia após dia. Infelizmente esse cenário é nacional, como apontam os estudos da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, mas temos que fazer nossa parte, por isso esta campanha”, declarou o presidente do sindicato.

 

Os estudos da CNTE sobre o assunto iniciaram em 1999, sendo o mais recente divulgado este ano, como informou a professora aposentada rede pública municipal de ensino e assessora da campanha, Betesabel Vilar, ao falar sobre “A saúde dos trabalhadores em Educação”. Segundo ela, as alterações apresentadas desde a década de 90 nas patologias ocupacionais dos professores foram, principalmente, relacionadas ao aumento dos casos de doenças psicológicas. No início das pesquisas apenas a síndrome de Burnout aparecia no ranking, agora, ao lado dela aparecem o estresse, a ansiedade, a depressão, a síndrome do pensamento acelerado e o nervosismo. Continuam fazendo parte da lista de doenças ocupacionais da categoria as dores nas costas e nos braços, e os problemas na voz.

 

Mas, como minimizar esses efeitos? Uma das atitudes que têm de ser tomadas, de acordo com Sérgio Luiz Thiessen é deixar de valorizar o plano de saúde que possui e passar a investir num plano de vida. “O que chamamos de plano de saúde é, na verdade, um plano de doença, porque ele só vai ser usado quando os problemas aparecerem. O que precisamos é ter uma vida com hábitos saudáveis e construída em cima de uma boa e saudável alimentação, prática de atividade física, dormir bem e beber água”, orientou. Estar com pessoas boas, cultivar amizades e se permitir ter tempo de lazer também são práticas necessárias para um cotidiano feliz e um envelhecimento com qualidade de vida, de acordo com as orientações do psicólogo Jurandi Meneses. “Tenham sempre em mente aquela música que diz: eu me amo e não posso mais viver sem mim. O que quero dizer com isso? Eu digo que nosso futuro depende do que fazemos hoje, por isso temos que realizar boas práticas não só para nós, mas também para os outros”, frisou o psicólogo, que demonstrou essa importância através de uma rápida dinâmica com o grupo.

 

Comprar, viajar, ter momentos de lazer e alguns bens são, teoricamente, coisas que nos deixam felizes, mas, de acordo com o consultor financeiro Rodrigo Dias Rosa, eles só vão fazer bem se não forem nos colocar numa roda viva de dívidas, com credores ligando a todo momento para cobrar o pagamento do boleto ou do cartão de crédito. “Ter boa saúde financeira influencia diretamente a saúde física e mental do ser humano, além das relações familiares e de amizade”, afirma o consultor. “Como alguém que está atolado em dívidas vai conseguir desejar um bom dia para um filho ou esposa? Já presenciei casos de pessoas que tinham problemas de gastrite provocada pelas dívidas. Antes de comprar algo/fazer algo é preciso planejar e fazer a seguinte pergunta: eu realmente preciso disso ou quero apenas para mostrar aos outros que possuo?”, ensinou Ricardo Dias, que, ao longo da palestra deu outras dicas de como tirar a saúde financeira da UTI.