Educação Infantil: Plenária discute a realidade da rede e os desafios em sala de aula
Na última segunda-feira, dia 30/3, o Sindipema recebeu, em sua sede, professoras e professores da Educação Infantil para discutir “Educação Inclusiva e os desafios em sala de aula”. Foi um momento de escuta e de troca de informações sobre a difícil realidade das escolas da rede municipal de ensino de Aracaju.
Foram vários os relatos apontando graves problemas em EMEIs do município que dificultam o trabalho das professoras e professores no ensino aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Problemas que vão desde as limitações impostas pelas estruturas físicas das escolas, notadamente a falta de climatização e de espaços de regulação sensorial, passando pelo grande número de alunos por turma, decorrente da fase antecipada e obrigatória de matrícula para o público-alvo da educação especial, bem como pelo número insuficiente de cuidadores/as e pela ausência de mediadores/as para auxiliar os professores e as professoras.
"Sem a presença de mediadores, a creche não cumpre o seu papel de espaço educador e realiza apenas o social, a parte do cuidado com a criança. A nossa luta também tem de ser por mais mediadores, porque a situação é desesperadora", relatou uma professora lotada em uma Escola Municipal de Educação Infantil.
“Que modelo de educação infantil a prefeitura quer oferecer para Aracaju? A maioria das escolas não tem professor em creche. Apenas algumas poucas têm, e são usadas pela gestão como parâmetro. É preocupante, também, a falta de formação das cuidadoras. A Semed prega que é desperdício ter professores qualificados na educação infantil, e isso nós não podemos aceitar”, apontou outra professora.
Outro ponto bastante debatido na plenária foi o calor excessivo na maioria das escolas que ainda se encontram sem climatização, o que tem transformado as salas de aula em ambientes totalmente insalubres para se promover educação, especialmente com a presença de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, mais sensíveis às situações de estresse.
“Infelizmente, o que vemos é que a educação no Brasil e em Aracaju acaba ocupando somente o espaço do marketing, ao invés de ser colocada no centro de um debate sério, levando a política educacional ao protagonismo. Os projetos arquitetônicos das nossas escolas públicas, em especial as de educação infantil, precisam ser melhor observados, e faz-se necessário que haja espaços adequados para que as crianças possam viver as suas infâncias e se educarem”, enfatizou Sandra Beiju.
A professora Patrícia Seixas, primeira secretária do Sindipema, apontou que a direção do sindicato tem procurado dialogar com a gestão municipal, indicando os diversos problemas nas escolas relatados pelos professores e professoras da rede, e que o sindicato também tem cobrado soluções, especialmente quanto à melhoria das condições de trabalho nas escolas, à convocação de mais professores para suprir as necessidades da rede e à contratação de mais mediadores e cuidadores para a educação infantil.
Para o sindicato, o cenário atual das escolas de educação infantil é motivo de grande preocupação, diante de situações que comprometem o direito das crianças à educação e submetem professoras e professores a condições inadequadas de trabalho. Tais circunstâncias têm contribuído para o adoecimento dos profissionais, gerando afastamentos e a consequente necessidade de substituições, o que também impacta o orçamento da educação. Nesse contexto, é fundamental que a gestão municipal assuma sua responsabilidade na garantia de professores, cuidadores e infraestrutura adequada, assegurando, de forma efetiva, a promoção de uma educação inclusiva de qualidade.
Ademais, é imprescindível que a Secretaria Municipal de Educação assegure a devida assistência às unidades de ensino, às professoras, diretoras e coordenadoras pedagógicas, bem como promova, com urgência, a mudança do atual comportamento de distanciamento e desassistência observado até o momento, adotando uma postura mais presente, resolutiva e comprometida com a realidade das escolas.

